• Redação Obra Prima

Quando o projeto é para si mesmo

Atualizado: 13 de mai. de 2021

O escritório Pitá Arquitetura, no Edifício Itália, cartão-postal de São Paulo: diversidade de materiais usados na reforma e no design de interiores é um dos pontos altos da obra.



Criar conexões genuínas entre espaços e pessoas, realizando projetos que contam histórias únicas sempre foi o propósito do Pitá Arquitetura. Por que seria diferente na hora de recriar o seu próprio escritório?


A mudança, que surpreendeu os clientes, a maioria do eixo Faria Lima, foi impactante. Da casinha simpática, há 20 anos instalada no Jardim Paulistano, para o 16º andar do ícônico Edifício Itália, o segundo maior prédio da cidade de São Paulo, com 165 metros de altura, 46 andares e dezenove elevadores. De um local low profile para um dos marcos da cidade, inaugurado em 1965, e protegido pelo Patrimônio Histórico por ser um grande exemplo da arquitetura verticalizada brasileira, assinado pelo brilhante modernista Franz Heep.


“Era importante para nós estarmos num espaço corporativo com significado de arquitetura. Um prédio que contasse uma história”, explica o arquiteto Antonio Mantovani Neto, sócio do Pitá Arquitetura, conhecido por suas realizações criativas e interdisciplinares, como as executadas para as empresas LinkedIn, Decolar, Natura, Civi-co, Cubo Itaú.





Um prédio da década de 60 tem, no entanto, suas idiossincrasias. “Quando entramos e retiramos o forro de gesso da laje foi um choque: encontramos uma camada de 30 a 40 centímetros de palha colada ao concreto”, conta o arquiteto, ao lembrar do “berço de palha” usado na obra original para segurar o concreto, em vez de madeira. “Essa palha provisória, para durar três dias, durou três semanas, e acabou se fundindo ao concreto. O que fizemos? Assumimos a palha, que é acústica, jateamos uma tinta antifogo e proteção branca para clarear o ambiente. O resultado ficou bem interessante”, entusiasma-se o arquiteto.


No quesito infraestrutura, o escritório trocou absolutamente tudo: tubulação de esgoto, água, energia, ar-condicionado, esquadrias, garantindo segurança para a base do novo design de interiores implantado.


A entrada do escritório é pela “Sala de Amostras”, um ambiente predominantemente azul escuro, com piso, parede, teto e móveis no mesmo tom. Dali se alcança uma área completamente aberta, ladeada por estações tradicionais de trabalho e, ao meio, inúmeras ilhas de colaboração, formando um corredor que termina no espaço do café.





A sala azul também dá acesso aos toiletes, área de serviço e às salas de reunião, customizadas – uma diferente da outra, na cor do piso, nos modelos e fornecedores de mesas e cadeiras, nos acabamentos em tecido acústico, papel de parede... O piso do terraço, um composto de mármore branco, tingido de turquesa e placas douradas de latão, é o predominante, unindo todas as áreas comuns.


O posicionamento dos vãos de abertura é mais um ponto positivo na obra. “Temos uma ventilação cruzada. Se todas as janelas forem abertas ao mesmo tempo, saímos voando”, brinca o arquiteto. “Em meio à pandemia, isso ajuda muito, pois a ventilação natural dispensa o uso do ar condicionado”. Do lado de fora, o brise colabora com a temperatura interna amena do escritório, impedindo a incidência direta da luz do sol.


Automação: neste espaço corporativo não se usa interruptor para ligar ou desligar a luz. O sistema de iluminação nas áreas maiores é controlado pela luminosidade natural. E todas as salas de reunião são automatizadas. Do computador, é possível programar toda a luminosidade, com direito a um display na porta avisando que o sistema está agendado.






“Meu espaço preferido neste projeto é, de longe, o espaço do café, seja por sua materialidade bastante rica (mármore, fibra natural, concreto...), seja pelo terraço, pela luz, por sua vista para o Jardim da República ou pela própria simbologia do encontro”, conclui Mantovani.





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