• Redação Obra Prima

O tecido de lã da Serra da Estrela chegou ao design de interiores

Grupo Burel Architecture dá um novo uso à matéria-prima artesanal - e essencial - da cultura da bela região montanhosa de Portugal.


Showroom da marca. Projeto: P-06. Foto: José Vicente.

Ao longo dos seus 16 anos de existência, o grupo Burel Factory vem se destacando pela versatilidade na utilização de uma matéria-prima tradicional da Serra da Estrela, onde o burel — um tecido artesanal português — é produzido. Ao trabalho que desenvolvem em áreas de atuação como moda, decoração e até turismo, juntam agora o design de interiores.


Cléricos Restaurant. Project: Bastir. Foto: José Vicente.

A nova marca Burel Architecture foi lançada em fevereiro, no evento Surface Design Show 2022, em Londres. As propostas totalmente personalizáveis, que podem ser encontradas no seu site, passam por painéis, revestimentos de parede, azulejos, tangrams e várias peças de mobiliário.


“O nosso objetivo foi posicionar o burel como produto de valor acrescentado, prolongar a sua história — que vem de longe — e, de certa forma, reinventá-lo”, conta à NiT Romeu Lebres, responsável pela comunicação da equipa. A insígnia de arquitetura vem materializar este desejo ao alargar o potencial deste têxtil tradicional português a um mercado em constante transformação".


Casa de São Lourenço | Burel Mountain Hotels. Project: P-06. Foto José Vicente.

Feito com lã de ovinos da Serra da Estrela, este tecido com uma composição particular apresenta inúmeras vantagens ao ser usado em interiores. O material tem propriedades acústicas únicas que permitem atenuar a reverberação sonora, por exemplo. “O problema é que não havia suporte científico que fundamentasse tal informação”, explica. Decidiram avançar com um estudo aprofundado que comprovasse a ciência por trás do burel.


“No caso da absorção acústica, o material utilizado deverá absorver o som e não permitir a sua reverberação. É aqui que as soluções acústicas Burel Architecture fazem a diferença”, continua Romeu. “a cortina de burel é uma das soluções mais eficazes na absorção de sons e uma excelente solução para divisórias de open spaces, porque absorve as ondas sonoras — 95 em 100 por cento — e evita ecos”. É um tecido fácil de aplicar em casa devido à sua versatilidade e ao seu potencial enquanto isolamento térmico. Funciona tanto no frio como no calor, e faz com que o espaço onde é utilizado tenha maior poupança energética e, consequentemente, maior sustentabilidade.


Cortinas Acústicas – Sylvie Krüger.

Um dos pilares da história e da economia da cordilheira portuguesa, este tecido artesanal incorpora “a arte e o saber que já vêm de longe, nas mãos das gerações que o foram transmitindo de pais para filhos”. É este conhecimento transversal a várias gerações que a fábrica pretende manter, com lã 100 por cento natural, que chega “em fardos densos e compactos”.


Microsoft Lisbon Headquarters. Project: 3G-Office. Foto: Rupert

Ancorada no passado, a Burel Factory prova que o conceito de luxo está mudando. Atualmente, o conceito passa também pela consciência ambiental, durabilidade, autenticidade e, claro, pela maestria do trabalho manual. Uma forma de atingirem esta visão sustentável partiu da criação de um artigo inovador: “É burel reciclado, uma nova linha feita a partir dos múltiplos desperdícios que resultam da execução dos nossos produtos. E o melhor é que mantém as características acústicas e térmicas do burel normal, fazendo dele uma solução ecologicamente responsável e com elevada performance”.

Todos os produtos são feitos de forma personalizada e por medida, visando a funcionalidade. Depois de equacionadas as questões técnicas, o design é desenvolvido de forma a corresponder às necessidades do cliente, para que o burel seja enquadrado de forma orgânica na arquitetura interior.

Para saber mais, acesse o site.


Fonte: Daniel Bento para a Nit.pt



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